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Porque não consigo emagrecer?

Nos consultórios uma das frases mais comuns entre as pessoas que buscam emagrecer é: “Doutor, eu não sei porque não consigo emagrecer, faço dieta, atividade física, já passei por vários profissionais na área e quando emagreço, recupero tudo em dobro …”

Supreendentemente 60 a 75% da população adulta mundial encontra-se com sobrepeso ou obesidade. A prevalência mundial da obesidade praticamente dobrou em 30 anos. Estar com sobrepeso ou obesidade aumenta significativamente o risco de múltiplas doenças debilitantes como doença cardiovascular, artrite, hipertensão arterial e doenças malignas como câncer de mama, próstata, pâncreas e cólon (intestino grosso). O excesso de peso também afeta a mobilidade, interfere com o sono repousante, contribui para desordens digestivas e para diminuição da qualidade de vida quando comparado com indivíduos magros. A obesidade resulta em um encurtamento da vida útil em média entre 8 a 10 anos; e para cada 14Kg extras o risco de morte súbita aumenta em 33%; e com o processo de envelhecimento o emagrecimento torna-se mais árduo e difícil, porém não impossível.

A obesidade hoje é reconhecida como uma doença, tanto que faz parte da classificação internacional de doenças – CID10, e não diferentemente da hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, e outras tantas, a obesidade é considerada uma doença crônica e deve ser tratada como tal, ou seja, de forma contínua, ininterrupta e por um longo período.

Investigações cientificas recentes indicam que a perda de peso é muito mais complexa do que simplesmente “comer menos comida para perder peso”.  O sucesso para a perda de peso requer mudanças de paradigmas, onde o conhecimento multifatorial da obesidade torna-se essencial e pode ser alcançado pelos “ Nove pilares do sucesso para perda de peso”, que são:

1° Restaurar a sensibilidade insulínica;
2° Restaurar o equilíbrio hormonal;
3° Controlar os níveis de absorção de carboidratos;
4° Aumentar atividade física;
5° Restaurar a serotonina cerebral / sinais de supressão da fome;
6° Restaurar os níveis de energia gastos em repouso;
7° Restaurar a saúde do adipócito (célula de gordura);
8° Inibir a enzima lipase e
9° Comer para viver uma vida longa e saudável.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem a função de facilitar a entrada da glicose na célula, que é o combustível desta. Os níveis de insulina são influenciados pelos tipos de alimentos sendo estes com maior ou menor índice glicêmico.  O índice glicêmico (IG) diz respeito à velocidade com que o açúcar proveniente da digestão dos carboidratos alcança a corrente sanguínea. Quanto mais rápido esse carboidrato for digerido, maior será seu índice glicêmico.  A leptina também é um hormônio, porém produzido pelos adipócitos (células de gordura) e tem a função de avisar o hipotálamo de que o indivíduo já esta saciado. Os indivíduos obesos podem apresentar altos níveis de insulina e leptina, podendo estar indicando um quadro de resistência, predispondo a doenças crônicas inflamatórias como cardiopatia, acidente vascular cerebral, demência, diabetes, morte súbita e outras doenças associadas ao envelhecimento. Contudo os altos níveis de insulina e leptina, normalmente suprimem o desejo de comer e estimulam o gasto de energia, mas em indivíduos com resistência eles perdem a capacidade de realizar esta função. Outro hormônio derivado dos adipócitos é a adiponectina, que tem uma função similar a leptina, atuando também a nível cerebral com um efeito na perda de peso, sendo complementar e aditiva ao hormônio leptina.

Desta forma, hoje temos várias estratégias como  alimentares, medicamentosas e suplementares que podem nos auxiliar na atuação do 1° e 7° pilares do sucesso para perda de peso, ou seja, uma dieta com baixos índice glicêmico, medicamentos fitoterápicos (Irvingia gabonenses), medicamentos alopáticos (metformina), suplementos (ômega 3 com hormônios eicosanoides DHA e EPA) e assim por diante, respeitando a individualidade de cada paciente.

Quando falamos em restaurar o equilíbrio hormonal, ou seja, abordamos o 2° Pilar, nos referimos em colocar o paciente em níveis ótimos em sua função tiroidiana, da glândula suprarrenal e dos hormônios sexuais masculinos e femininos. Baseados na clínica e nos exames de laboratório, onde podemos ter uma analise fidedigna da condição atual de saúde do paciente, e assim trabalharmos com segurança nas reposições que se fizerem necessária.

A tireoide é a glândula reguladora central do metabolismo e influência no funcionamento de todos os outros órgãos e sistemas. A disfunção tireoidiana pode afetar o peso corporal, sua composição, a temperatura corporal e o gasto energético independente da atividade física. O hipotireoidismo que é a depressão da função da glândula tireoidiana leva a queda dos estoques de energia que é convertida em calor, acarretando em cansaço e diminuição da temperatura corporal, diminuição dos níveis de energia gastos em repouso – 6° Pilar, e ganho de peso.

Os níveis dos hormônios sexuais como a testosterona, DHEA declinam com a idade em ambos os gêneros; podendo levar a um aumento da massa de gorda (tecido adiposo) e redução da massa magra (músculos), com redistribuição da gordura central. No homem o aumento da massa gorda, leva ao aumento da conversão da testosterona em estradiol, instalando-se assim um quadro de predominância estrogênica, caracterizado por ginecomastia e abdômen globoso e aumento da gordura visceral, elevando o risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabetes e morte súbita. Na mulher com o declínio dos níveis dos estrogênios se instala o quadro de menopausa com ganho de tecido gorduroso, perda de massa muscular, diminuição de colágeno, flacidez e outras várias alterações sistêmicas.

O 5° Pilar se refere a restaurar a serotonina cerebral e os sinais supressores da fome. A serotonina é um neurotransmissor associado com a depressão, pode também estar associado ao ganho de peso, quando os níveis de serotonina cerebral se elevam o desejo de comer diminui, e quando eles caem o apetite é estimulado. Estudos tem demonstrado que os indivíduos obesos tem níveis de tryptofano diminuídos, que seria o precursor da serotonina sérica. Atualmente existem várias estratégias para mantermos a serotonina em níveis ótimos além de ser de extrema importância sua dosagem laboratorial.

3° Pilar Controlar os níveis de absorção de carboidratos pode ser feito  através de estratégias onde “preparamos seu corpo para comer”, ou seja, podemos diminuir a velocidade de absorção de carboidratos com extrato de café verde, antes das refeições, como também lançar mão do uso da medicações como Orlistat, que auxilia na redução da absorção de gorduras e da enzima lipase, considerada também o 8° Pilar (Inibir a enzima lipase) na nossa abordagem.

4° Pilar – Aumentar ou incluir a atividade física promove a perda de peso através do aumento do gasto energético, elevando a taxa metabólica basal e permitindo um maior lastro na alimentação do indivíduo. A atividade física também atua no controle do apetite, reduzindo o esvaziamento gástrico, e aumentando a sensibilidade aos hormônios do controle do apetite como a colecistoquinina, e melhora o quadro de resistência a insulina. Indicamos atividade física de 30 a 45 minutos, 3 vezes por semana, e de preferencia associada a uma dieta com restrição calórica.

E finalmente o 9° Pilar – Comer para viver uma vida longa e saudável, baseado na individualidade de cada paciente, devemos escolher a melhor opção de uma dieta, que não deve ser encarada como uma penitência e sim como uma opção de estilo de alimentação. No julgamento de escolha da melhor dieta, deve-se levar em consideração vários fatores como culturais, econômicos, laborais, rotinas, intolerâncias alimentares, alergias alimentares e inclusive perfil genético conhecido como nutrigenômica. Esta mudança alimentar se possível deve envolver o contexto familiar e inicia no ato de fazer compras, definindo as melhores escolhas e fugindo dos industrializados e de certas componentes adicionados aos alimentos que se escondem atrás de um bom marketing visual.

Temos como boas opções a Dieta Paleolítica, Dieta do Mediterrâneo, DASH “Dietary Approach to Stop Hypertension”, Dieta Metabólica – Ponto Z, Genodiet – Dieta baseada no estudo do perfil genético entre outras; porém devemos lembrar que estas devem ser elaboradas baseadas na taxa metabólica basal, grau de atividade física, objetivos  e composição corporal, promovendo uma restrição calórica e com a reposição dos micronutrientes indicados.

 

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Dr Marcelo Sech
| CRM 14.643 |

ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia
SOBRAF – Sociedade Brasileira de Estudos da Fisiologia

Consultório São José dos Pinhais
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2 comentários para “Porque não consigo emagrecer?”

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